As cerimônias do World Press Photo 2016 aconteceram sexta e sábado, 22 e 23 de abril. Entre os vencedores, como todos já sabem, Mauricio Lima, representou o Brasil este ano. Desde 1995, ano em que a World Press Photo Foundation iniciou esse importante trabalho, é a primeira vez que um brasileiro aparece em duas categorias num mesmo evento: 1st Prize na General News, 2st na Prize Daily Life, como já falamos aqui.

O World Press Photo é uma espécie de Oscar do fotojornalismo. Enquanto no Brasil se discute se essa vertente da fotografia morreu ou respira por aparelhos, em países do Primeiro Mundo é a expressão mais séria, respeitada e valorizada da imagem. Não à toa, o investimento anual de uma edição do World Press Photo gira em torno dos 5 milhões de euros, aproximadamente 20 milhões de reais e leva a chancela do governo holandês.

Este ano, como não poderia deixar de ser, discutiu-se em Amsterdã a crise no Oriente Médio e as principais imagens selecionadas mostraram a destruição da sociedade síria e reflexos em outros países da região e Europa. O drama de homens, mulheres, crianças e idosos, os refugiados, atravessando as fronteiras da Europa é o tema da foto vencedora e principal prêmio do WPP. A imagem, feita pelo freelance Warren Richarson, fotógrafo australiano baseado e Budapeste, atesta a importância do bom corpo de jurados. A fotografia de Warren sobrepõe o drama e o coração à técnica fotográfica. É tremida em preto e branco mostra o vulto de um homem passando um bebê sob uma das cercas de arame farpado armadas nas fronteiras de diversos países da Europa. A foto foi feita na madrugada do dia 28 de Agosto de 2015 exatamente na linha que separa Sérvia e Hungria. Warren não pode usar o flash para não chamar a atenção dos policiais que tentavam conter os refugiados. “Eu estava acompanhando essas famílias por uma semana, estava exausto, imagine eles. Eram umas 200 pessoas que já vinham há semanas lutando para sobreviver e estavam ali esperando a hora certa de avançar. Essa foto faz parte de uma série e foi feita por volta das 3h da manhã, usei só a luz da lua”, ele me disse enquanto tomávamos um sol na beira de um dos canais de Amsterdã.

Depois de um ano intenso de trabalho do WPP são apenas dois dias de apresentação dos vencedores, conversas e discussões sobre tudo o que aconteceu nos 365 dias anteriores, sobre os caminhos que essa informação projeta para o futuro do fotojornalismo e a cerimônia, capítulo a parte. Num prédio de uma das cidades mais lindas do mundo, diversas mesas debateram os novos negócios e a fotografia em preto e branco. A importância da informação multimídia no processo e os caminhos da agencias de notícias. A estética empregada na captura das imagens de conflito e o trabalho dos coletivos. Já a cerimônia de entrega dos prêmios foi aberta pelo diretor do WPP, Lars Boering e teve o discurso do príncipe Constantijn Christof Frederik Aschwin, da Holanda. Alguns vencedores nas suas categorias também falaram ao público. Um evento de gala para cerca de mil convidados.

Exceto pelo fotógrafo Mauricio Lima, que amanhã voa de Amsterdã para Nova York para receber o inédito Prêmio Pulitzer para o Brasil, a reflexão que se faz sobre esses 3 dias em Amsterdã é sobre a imprensa brasileira. Por que os editores de fotografia dos grandes jornais e revistas brasileiros não estavam presentes na maior festa da fotografia hardnews? Por que não estavam trocando cartões com o resto do mundo? Por que não se interessam? [Texto e fotos Fernando Costa Netto, de Amsterdã]

Alguns números do WPP 2016
5775 fotógrafos enviaram suas fotos ao longo do ano.
124 eram brasileiros
128 países participaram do evento
82.95 foi o total de fotos recebidas