UM NOME

De 18 de janeiro a 19 de março de 2016

Um retrato será para sempre um retrato. Um livro aberto. Um veredicto. Quando o fotógrafo se expõe diante do “outro” ou haverá a verdade, ou o suicídio. Não existe um retrato “mais ou menos”. Um retrato não é um pôr do sol. Pode ser um grito ou o extrato de um longo silêncio. Em qualquer lugar do mundo esse “outro” será sempre ele mesmo. Quem deverá se modificar é o fotógrafo. Cabe a ele perceber a pele invisível que está presente entre um e outro para mais adiante explodir em fotografia. Será uma imagem, mas sempre será um retrato: risco fino, cornucópia, transparência. O verdadeiro retrato não deixa rastros. Não se trata de uma questão de iluminar o outro com a luz perfeita. Não é um caso para iluminação exterior. Também não é o caso de descobrir a beleza interior, esse pensamento pífio da modernidade com inteligência artificial. Em casos raros um retrato é capaz de ultrapassar as palavras. Assim sendo, nem Deus, nem o diabo, nem Freud, nem Shakespeare serão capazes de desvendá-lo. Nenhum texto técnico ultrapassa um retrato: o seu mundo real e sua cultura de significados, dor e prazer, vida e morte, loucura e paixão. O mundo daquele “outro” que não vê o olhar frontal de uma segunda pessoa: o fotógrafo que tenta decifrá-lo por trás de uma câmera. Trata-se da conjugação de um verbo em seu modo mais extremo. Tempo e tempo. Carne, músculo, sangue, osso. Paulo Fridman andou pelo mundo afora e pelas entranhas do Brasil fotografando trabalhadores em seus lugares de labuta, em planos quase abertos, onde podem ser vistas formas plásticas do ambiente público/privado de cada um deles. Entre panelas de barro e guardas de trânsito, entre a China e o Grão Pará, entre a prostituta e o amolador de facas. O fotógrafo tem profunda habilidade com quem está do outro lado da câmera. Busca neles imagem e palavra. Qual dos dois resistirá ao olhar do outro? Aqui estão. Todos parados diante da câmera, observando. Em cada um deles a pergunta decide o que está por vir: quem é você? O que seu retrato quer de mim? [Diógenes Moura, curador e escritor]

Galeria NIKON. Rua Aspicuelta, 153 – Vila Madalena, SP. galeria@nikon.com.br | 11 2592-7922 | Visitação: de seg a sexta das 10h às 19h, sábados e feriados das 11h às 17h.

Um retrato será para sempre um retrato. Um livro aberto. Um veredicto. Quando o fotógrafo se expõe diante do “outro” ou haverá a verdade, ou o suicídio. Não existe um retrato “mais ou menos”. Um retrato não é um pôr do sol. Pode ser um grito ou o extrato de um longo silêncio. Em qualquer lugar do mundo esse “outro” será sempre ele mesmo. Quem deverá se modificar é o fotógrafo. Cabe a ele perceber a pele invisível que está presente entre um e outro para mais adiante explodir em fotografia. Será uma imagem, mas sempre será um retrato: risco fino, cornucópia, transparência. O verdadeiro retrato não deixa rastros. Não se trata de uma questão de iluminar o outro com a luz perfeita. Não é um caso para iluminação exterior. Também não é o caso de descobrir a beleza interior, esse pensamento pífio da modernidade com inteligência artificial. Em casos raros um retrato é capaz de ultrapassar as palavras. Assim sendo, nem Deus, nem o diabo, nem Freud, nem Shakespeare serão capazes de desvendá-lo. Nenhum texto técnico ultrapassa um retrato: o seu mundo real e sua cultura de significados, dor e prazer, vida e morte, loucura e paixão. O mundo daquele “outro” que não vê o olhar frontal de uma segunda pessoa: o fotógrafo que tenta decifrá-lo por trás de uma câmera. Trata-se da conjugação de um verbo em seu modo mais extremo. Tempo e tempo. Carne, músculo, sangue, osso. Paulo Fridman andou pelo mundo afora e pelas entranhas do Brasil fotografando trabalhadores em seus lugares de labuta, em planos quase abertos, onde podem ser vistas formas plásticas do ambiente público/privado de cada um deles. Entre panelas de barro e guardas de trânsito, entre a China e o Grão Pará, entre a prostituta e o amolador de facas. O fotógrafo tem profunda habilidade com quem está do outro lado da câmera. Busca neles imagem e palavra. Qual dos dois resistirá ao olhar do outro? Aqui estão. Todos parados diante da câmera, observando. Em cada um deles a pergunta decide o que está por vir: quem é você? O que seu retrato quer de mim? [Diógenes Moura, curador e escritor]

Galeria NIKON. Rua Aspicuelta, 153 – Vila Madalena, SP. galeria@nikon.com.br | 11 2592-7922 | Visitação: de seg a sexta das 10h às 19h, sábados e feriados das 11h às 17h.


Arquivo Archive