O Sertão

João Machado
2015

O Destempero da Luz. De repente, do mais profundo dos ‘Brasis’, aparece-nos João Machado.  A primeira reação é de espanto: onde ele foi buscar essas imagens inusitadas, essa força, essa narrativa inédita, esse universo de cores que deu mais uma volta no parafuso da cor brasileira e mergulhou numa profundidade onde já não mais importa saber o que é real, o que é ao mesmo tempo irreal e possível ou o que é quase a pura imaginação de quem mostra e de quem vê?  A segunda reação é imaginar que as musas das retinas resolveram chacoalhar o marasmo e criar um incômodo criativo para todos nós. Como se elas dissessem que já não basta a cor de Firmo, de Braga, de Love, de Maureen, de Cravo e de tantos outros. Que é preciso ir além. É preciso beirar o desvario e o desatino. Olhar a luz prenhe do Nordeste, a luz impregnada da cor baiana, que ninguém foi capaz de entender e reproduzir, com  esta saturação exagerada e exacerbada. É preciso que o barroco dos excessos cruze a fronteira do imaginário e permita-nos sonhar acordados. Uma cor destemperada, que já não vem de Paris ou Nova York, nem por contraponto, mas que nasceu na África e cruzou o Atlântico nos porões escuros dos navios negreiros, que se vestiu de fantasia em Macondo para ser agora trazida à luz em sua magnificência tropical, finalmente reconhecida, celebrada e vestida de Brasil. A terceira reação é ainda mais surpreendente: bastou olhar as imagens de João Machado para perceber que já não sou mais o mesmo, que meus olhos já querem olhar diferente. [João Farkas]

O Destempero da Luz. De repente, do mais profundo dos ‘Brasis’, aparece-nos João Machado.  A primeira reação é de espanto: onde ele foi buscar essas imagens inusitadas, essa força, essa narrativa inédita, esse universo de cores que deu mais uma volta no parafuso da cor brasileira e mergulhou numa profundidade onde já não mais importa saber o que é real, o que é ao mesmo tempo irreal e possível ou o que é quase a pura imaginação de quem mostra e de quem vê?  A segunda reação é imaginar que as musas das retinas resolveram chacoalhar o marasmo e criar um incômodo criativo para todos nós. Como se elas dissessem que já não basta a cor de Firmo, de Braga, de Love, de Maureen, de Cravo e de tantos outros. Que é preciso ir além. É preciso beirar o desvario e o desatino. Olhar a luz prenhe do Nordeste, a luz impregnada da cor baiana, que ninguém foi capaz de entender e reproduzir, com  esta saturação exagerada e exacerbada. É preciso que o barroco dos excessos cruze a fronteira do imaginário e permita-nos sonhar acordados. Uma cor destemperada, que já não vem de Paris ou Nova York, nem por contraponto, mas que nasceu na África e cruzou o Atlântico nos porões escuros dos navios negreiros, que se vestiu de fantasia em Macondo para ser agora trazida à luz em sua magnificência tropical, finalmente reconhecida, celebrada e vestida de Brasil. A terceira reação é ainda mais surpreendente: bastou olhar as imagens de João Machado para perceber que já não sou mais o mesmo, que meus olhos já querem olhar diferente. [João Farkas]




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